Sábado, 2 de Junho de 2007

Quarta-feira 24 de Setembro de 2003

Trimmmm !... Trimmmm !......É o infalível despertador Nokia« tenha ele carga na bateria».São 7h...afasto o saco-cama, faço três abdominais...fico ofegante. Ainda semi-deitado enfio as calças, salto para o local de trabalho -ali mesmo ao pé ou à mão de semear- e não tarda nada já estou de peúgas e alpercatas de cortiça e tiras de couro- made in Gabor Schue- enfiadas.

Desço do camião, e ainda de estores meios cerrados, faço a primeira inspecção à carga e pneumáticos. Tudo em ordem; tanto quanto os faróis, ainda por lavar, turvos e nublados me permitem descortinar, desvendar...

Subo três ou quatro degraus,- ainda é cedo para contar!- que dão acesso ao restaurante da humilde área de serviço. No hall, ao lado direito estão as insígnias de toilettes,WCs ou casas de banho...como queira o entendimento!...Entro, e uma voz de mulher diz-me que entrei no sítio errado.

«Desculpe menina!» e mudei a rota para os lavabos masculinos, que eram contíguos mas, não exíguos,bem pelo contrário!...

Quando saí ,já via tudo mais nítido.

No lado de dentro do balcão não se via ninguém...entretanto chegou a empregada,- devia ser a tal voz do wc ou retrete- era magricela e usava um olhar desinteressado e soturno, que a faziam mais feia do que realmente era: de qualquer das maneiras nunca seria bonita. Há, no entanto gente, bonita que pode ser demasiado feia e a ordem dos factores também pode ser comutativa nesta operação...fiz-me entender?...

Sem dar os bons dias perguntou-me o que desejava!

«Um galão morno e clarinho!» e espreitando para dentro do expositor de bolos, as moscas, que pastando deleitadas numa recessa bola de berlim e mais dois ou três bolos que solidários com a bola e comigo me disseram para pedir outra coisa.«E uma sandes mista sem manteiga, por favor!»

O galão vinha ao gosto da minha sogra,- fumegava!

Na lenta absorção do pequeno almoço, o diálogo não era grande conselho e, como silêncio puxa silêncio, quando cheguei ao Volvo F12 e inseria os dados no disco faltava-me o nome do local. Não era a primeira vez que ali lançava ancora mas, ainda não decorara o nome do porto.

O empregado da gasolineira, que acabara de a abrir, quando dele

quis saber a toponímia, forneceu-me o B.I... «Posto Galp, Casais de santa Teresa, km 101,- assim à queima roupa.

 Àquela hora, ainda a Nac.1, estava longe de atingir a sua capacidade de impaciência mas, já tolerava aqui e além, um ou dois kamikazes, cuja pressa é sempre mais que a dos outros utentes e, numa nesgazita atacam em suícidas ultrapassagens. É vê-los!...na recta da Venda das Raparigas,- onde, nunca eu comprei nenhuma- na recta do Cabo e na de Alcochete, nas largas curvas do Marão, ou nas estretíssimas curvas e contracurvas de Cavez e em todas as rectas e curvas deste nosso cantinho. São uma infestante díficil de exterminar. Eles lá vão andando! E num qualquer momento, sem que o destino o tenha mencionado, alguém, que apenas na rotina do quotidiano planeara chegar a casa ou ao local de trabalho; pode acabar por chegar bem mais depressa ao paraíso, ou ao inferno... depende, da leveza ou sobrecarga da consciência de quem apanhado assim sem mais nem menos, não se haja reconciliado com ela...com a vida...porra! quem é que sai de casa preparado para a derradeira viagem? Os kamikazes a sério fazem isso; a troco dum além recheado de lindas virgens mas, os de cá nem sequer é pela alucinação que qualquer crença possa induzir; é apenas o fanatismo da estupidez...só isso!

 Por mim, as lindas virgens podem esperar sentadas. Para ser sincero, ainda não me sinto preparado para embarcar destino Eden. Vou tentar estar o mais tempo possível nesta vida para poder usufruir de toda esta desgraça.

 Por isso; instintos destros, sempre a visualizar o mais além possível, para antecipar e não precepitar dissabores. Enfim; atrazar ao máximo a inexorável marcha do relógio da existência...quando me sentir preparado eu aviso...se puder!...Nunca gostei de relógios...não sei porquê!...

                                   Oh! tantas vezes que eu ando

                                   pelos largos destinos da noite e do dia

                                   Por onde a morte se passeia

                                   E onde de quando em quando

                                   leva em sua companhia

                                   alguém que parece viver odeia

                                   Por achar esta vida safada

                                   Mas, eu tudo hei-de fazer

                                   Para o meu memorial não ter

                                   na borda de nenhuma estrada.

             

Sem contratempos lá cheguei a Palmela! Mas, esperei tempo demais para descarregar!...

Mexia-se pelo nada, uma subtil brisa que, transportando uma finíssima frescura,relaxante, me penetrava pela manga esquerda da t-shirt acariciando-me o sovaco.

Cheguei a horas decentes para o jantar!

Fiquei a saber que a Marge tem uma nova disciplina na escola- Dor de Barriga- ou seja; Matemática!..

«Amanhã, vais ter Dor de Barriga?»

«Não pai! Tive ontem!

A Gelyka não disse... foi a mãe,«só sete a inglês!».

 d`amora azeitona

 

publicado por kumyxao às 18:01
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