Terça-feira, 1 de Maio de 2007

A tempestade

                                               Sexta 17/04/1998

Às 6h30, dei início à jornada e até Poitiers o mau tempo foi companheiro inseparável de viagem. No entanto; após as duas horas de estrada em que deixei para trás Royssie en Brie, subúrbios da grande Paris; esquivei-me a ele durante trinta minutos na área de serviço de Orleans. Havia dormido mal e esta pausa, geminada a um copo de plástico contendo uma água escura e deslavada, à qual os francius chamam de café! Coitados! À falta de melhor – caiu-me bem!

Do céu; agora mais carrancudo ainda, começavam a despenhar-se grossas bátegas, que açoitadas pelo vento, vinham de cisgo estatelarem-se ruidosamente de encontro ao pára-brisas do camião. À margem da autoroute, as árvores que assistiam à minha passagem, já se curvavam em perigosas reverências: era a natureza a por em cena um dos muitos espectáculos do seu reportório. A tempestade!

Havia que tomar prudência em excesso; os incansáveis limpa para-brisas, mesmo na velocidade de maior  azáfama, não conseguiam dar vazão à diluviana precipitação ; quanto mais à que aspergida do alcatrão por influência dos rodados das viaturas, que, qual nevoeiro, quase anulava a vizibilidade.

Houve no entanto; momentos em que a estação se exibiu descomplexada e em todo o seu explendor, permitindo que pequenos céus azuis sobressaíssem do imenso negrume, fazendo-me lamentar o ter olvidado a muitos kms e a alguns dias de distância os meus velhos «Ray-Ban».

Quando se começa cedo, a intenção é cedo acabar! Esse provérbio hoje cumpriu-se. Como  a prudência foi ingerida na justa proporção da «meteo», às 17h susti os fogosos mas, domavéis 380cv do Volvo FH12 na acolhedora area de Souquet, que dista cerca de 01:30h, «a quatre vint dix de vitesse» da fronteira Hendaye-Irun.

Desfiz a barba e duchei-me. Estava preparado para a outra faceta do routier, - a culinária. No início, foi um dos meus medos, quiçá o maior. Porém; bastou um pouco de curiosidade e logo vi que não viria daí justificação para um pequeno fraquejo, ou para uma humilhante deserção; «se os outros cá andam e não os acho de maneira alguma, nem uns Hércules, nem Sanções e nem sequer uns Afonsos como o nosso Henriques - porque não eu um pequeno David?»

No fim de jantar fui saber (e dar notícias) como estavam as minhas três mulhers.

Outra vez, foi a Gelyka a fazer ouvir a sua voz. Quase sempre esbaforida  por querer ser a primeira. Não sei porque corre para o telefone! Que lindos olhos negros moram naquela mulherzinha de apenas doze anos. É a minha primeira obra prima...

                                      Desde o teu primeiro dia.

                                      Oh! que tamanha alegria...

                                       p'rá que não bastou meu peito.

                                      Babado pela beleza da obra

                                      Nada de menos nem de sobra

                                      Oh! que milagre mais perfeito *

                                      

                                       Não quero ser o teu senhor

                                       Nem o dono do teu destino

                                       Muito menos da tua vida!

                                       Quero só em teu muito amor

                                        mesmo que num canto pequenino

                                       Ser a tua imagem preferida

 É alta! Estará da minha altura, creio! Senão está pouco falta. Irá crescer mais concerteza! Chegará ao metro e oitenta! Já passa a ferro, faz deliciosos pudins e, «sem que o espectro da exploração infantil paire» é , já , uma pequena dona de casa em processo de aprendizagem; tem a melhor mestra do mundo - a mãe! Na escola não se tem saído mal. Na matemática deriva mas, o que mais dó me mete é ver que não sabe escrever: na primária, lembro bem, chegou a ter uma linda ortografia, agora! Na secundária, é um horror olhar tanto gatafunho! Tanto erro meu Deus!...

Nos meus alicerces de escola houve uma sólida e severa mas, justa Dona Natália - que Deus a tenha! - Ela era a negação do provérbio. Não era fazei o que eu digo e não o que eu faço! Não! Não era! O exemplo causava salutar inveja... era uma gostusura de ver a sua caligrafia - eu sei que a imitei - modéstia à parte!

ÊEEERROS! Não os admitia sem punição; as mãos inchavam com as suas consequências... a régua de castanho envernizado zumbia no seu declínio até se deter nas fragéis mãozitas que, trémulas e temerosas, sujeitas pelas pontas dos dedos,  se tentavam libertar daquela femenina mas, poderosa manápula; nunca ninguém o conseguiu! Ficavam a sensação de ardor. de impotência, a dormência e, dos mais débeis, as lágrimas...zero erros! Um beijinho! Podia fazer corar mas, não fazia doer!...

Por tudo aquilo que constato do português escrito da minha filha e as positivas nas notas, concluo;  os professores desconhecem o português, não lhe passam cartão, ou então , não andaram na primária em que os professores davam reguadas ou beijinhos.

Ai! Santa Dona Natália! Que falta fazes nas escolas de hoje, onde  se ensinam  matemáticas com letras e os erros do nosso português não contam como desvalor na atribuição dos canudos.

Com isto, não concluam, não vejam em mim, um conservador fanático desta metodologia do quase terror, que era em parte, causa de mais não idas do que idas á escola mas, quem não indo, livre de castigo não ficava; se mais não fosse, em casa teria pela certa a respectiva dose.

Não desejaria nunca; para as minhas filhas, a aplicação destes métodos de ensino. Acho porém; que mais rigor devia ser concedido à nossa lingua escrita e falada. Para quê encharcar com história, geografias, ciências, químicas,etc...etc...se a maior parte dos instruendos jamais irá fazer uzo no decorrer das suas vidas; no entanto...

                                       pelo bem falar

                                     e melhor escrever,

                                      podemos espelhar

                                     que sabemos saber!

P.s:Vejam, como apenas em uma palavra que contendo três «ós», nós, os portugueses, não somos capazes de os pronunciar com o mesmo som. Enquanto que para os italianos, a mesma palavra, escrita como a nossa, é duma beleza extraordinária; só porque leêm o que escrevem...

Aeroporto- nós, os possuidores de Camôes, de Pessoa... lêmos «aerópôrtu».Nenhum «o» tem som igual.

Aeroporto- eles, os possuidores de Pavarotti, da camorra, da pizza...cantam «aerópórtó».

Agora, transformando uma pequena fraze singular para plural e, não lhe desvirtuando o som, podemos alterar-lhe completamente o sentido...

Dois homens sem gravata- singular.

Dois homens cem gravatas- plural.

 

Enquanto a forma de falar,

Não coincidir com o que se escrever.

A fórmula será as palavras decorar,

Para erros não cometer.

Em outras anotações do quotidiano, referir-me-ei mais pormenorizadamente às outras duas minhas vidas - a Marge e minha mulher...Linda, é um nome lindo!...Mas, ela!... Bem!...Para ela só este nome!....

 agarrei a mais linda estrela

 e colei-a à tua cara 

 E ela ficou mais bela!

 Não a tua cara mas, ela!

                                        Descobri que o brilho da lua

                                        Não era mais que um sol fosco

                                        Tentando usurpar do teu rosto

                                        Toda essa beleza tua!

 Que quero eu mais da vida

 Que ela dado já não me tenha!

 deu-me a ti e a teus frutos minha querida

 Aceito tudo o que dela venha.

                                          

                                        pensei dar-te uma flor

                                        para dizer-te o quanto te amo

                                        mas é tanto o meu amor

                                        que é pouco uma só flor

                                        e nem sei se chega um ramo.

                                     

                                      

                                         

                                

                                         Mais que mil beijos são abençoados  

                                          Pelo que de mais santo há em mim

                                          Agradeço ao santo dos namorados

                                         Que pra pagamento dos meus pecados

                                          Me obrigou a amar-te, até ao meu fim!

                                         

 Gosto dos dias que me parecem sexta-feira

 E de todos em que estás à minha beira!

                                                                            Coisa tão bela não vi 

                                                                            és a mais cobiçada das telas

                                                                            e eu que pintor em ti

                                                                            de coisas tão belas

No dia de hoje já vi

o Douro,o mar eo Tejo

mas, se não te vir a ti

para que vejo?

                                                                     É quase sempre noite escura

                                                                     que começo e acabo os meus dias.

                                                                     E quando contigo me deito,

                                                                     pomos o nosso cansaço a jeito

                                                                     p`rás tritezas ou alegrias.

                                                                    E é assim que o nosso amor dura  

Não sabes fazer coisas fracas,

ou se sabes eu desconheço.

Ou então tenho aquilo que mereço

quando tão bem me tratas.

                                                                                  

                                                                           Se ouvisses o meu coração

                                                                          dizer o que a boca não diz.

                                                                           Nunca irias ter razão

                                                                           pra te sentires infeliz.

Só estou bem quando estás

e se estás... oh! que alegria.

E logo me parece outro o dia

com a alegria que me dás!

                                                                       Por toda esta vida em que tens

                                                                       Sido um Amor em meu jardim.

                                                                       Sou eu que estou de parabéns 

                                                                        por ter uma mulher assim!  

                                                                                      

                                                                                     

 d`amora azeitona

                                                                           

publicado por kumyxao às 21:51
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