Sábado, 25 de Agosto de 2007

Filosofia alentejana

Já repararam naquelas pequenas casitas empoleiradas no topo de muitas colinas?

Eu acho que há uma explicação lógica!

Não será para não se cansarem na saída de casa para o trabalho, uma vez ser a descer?

E reagirão de imediato! «Mas, no regresso terão de subir as colinas!»

«Tá certo! mas, fazem-no de boa vontade porque vão para descansar!»

 

JÁ IMAGINAVA QUE NUNCA IRIAM RACIOCINAR COMO UM ALENTEJANO!

 

   kumyxao

 

 

publicado por kumyxao às 17:40
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Não compro nada

 A essência está na originalidade! E nada do que aqui mora foi comprado ! À excepção das palavras, «tudo já está inventado!» Isto sim que é uma citação.

Tudo! Tudo!... Até mesmo na poesia, que julgando muita gente coisa de poetas, nada há a inventar, apenas talvez a descobrir. Sim! E se disser que também qualquer um pode ser poeta? Mas da mesma forma direi que poeta nunca será um qualquer! Verdade?

Se estiveres atento

Ao olhares em teu redor

Ver-te-ás no centro

Do poema maior!...

... e isto é tudo o que se necessita!... Basta deixar que os olhos vejam, que as lágrimas brotem, que os risos expludam e a mente não bloqueie!... Assim me aconteceu...

Pensamentos, adivinhas, anedotas, poemas e divagações ; assim como a falta de vontade são tudo coisas minhas,e a prova-lo basta um recuo de três a quatro anos e vasculhar nos pergaminhos de meados de Dezembro para encontrar:«Escrevi parte do diário de ontem e alinhavei umas quadrazitas em honra do Nandinho. Espero que goste! A manhã esteve chuvosa mas, pela tarde o tempo ajuizou.

De uns dias a esta parte uma espécie de formigueiro fervilha, parece rabiar na minha cabeça e sei que nada tem a ver com aquela auréola de sapiência que sempre ronda o toutiço dos grandes génios; é de matutar por certo!...fraco sinal!...

Não vou cair na asneira da página anterior. Decidi que nâo vou ler Garrett; não vá pois a dedução lógica insinuar que andei vindimando da sua vinha e sabem como são as bocas do povo...É!... depois, embora o vinho não deixasse de ser meu as uvas seriam sempre de outrém. Assim; o meu diário não mais será do que isso mesmo- uma tentativa de descrição das existências proliferantes no quotidiano.»

E agora vejam o porquê deste meu botar de mão à consciência. O que eu havia mentido na página anterior seduzido pela beleza e substância daquela frase;- e o Vouga triunfou sobre o Tejo!« Hei-de-o ler todo!»- pensei para mim- se é que alguém pode pensar para os outros!

«Hei-de-o ler todo!» O Garrett queria era puxar-me e ia eu apenas nas primeiras duas a três páginas daquela que já se me afigurava como uma viagem sem fim e já com tantas figurinhas esquezitas que mais uma seria desnecessária... assim deixei o Garrett em paz para exilar-me das tentaçôes. Terei concerteza a sensatez da minha dimensão assim como a leveza e clareza de espírito que nos é facultada pela ausência das influências. Farei por certo a minha viagem, mesmo que por atalhos; também não gosto muito de caminhos já feitos...

No dia anterior, ou página...«Para minha condenaçâo, devo confessar, que lerão aqui hoje o que só será escrito amanhã! E com razão exclamarão! - Que raio de treta este gajo tem!

Mas, para descanso vosso desde já vos advirto que estais com muita sorte porque normalmente a página de hoje leva uns diinhas a ser rabiscada e quase sempre com que falta de tempo e paciência; por isso; é justo ficar-des com a sensação de haver-des já mastigado e engolido páginas bem mais recessas; de mais a mais hoje não tinha inspiração e amanhã, como IRÃO ver parecia que jorrava: contudo isto só vale para hoje e não para amanhã!...oh! monumental trapalhada que de gajo mais labrêgo! Mas, avancemos, mesmo que, o vosso entender esclarecido não esteja!... e mesmo este poema que insiro nesta página só foi escrito amanhã!... lá volto eu a dar-lhe! Lá vai ele!..

 

Não há fartura

que não dê im fome

Diz um dito popular

Ontem tanta leitura!

Hoje vê-se um home

sem nada pra dar!

 

É claro que me IRÃO julgar coxo de poesia mas, não me amputem na prosa, nem me decepem sem que antes, derrotados pela curiosidade, (coisa feia mas, justificada aqui) vasculhem um pouco sobre o que este aprendiz -sem grande convicção- das palavras, tem a ousadia de fazer; e desde já as minhas desculpas ao Garrett, por se ver envolvido tão baixo.

Vamos à prosa, pois então! Mas, prevenidos que estão, da debilidade do meu arcaboiço literário,- pudera! o Garrett açambarcou-o todo- descansado me aventuro com a benção e tolerancia, mais que certa, do meu vizinho Camilo.

 

 

  d`amora azeitona

 

publicado por kumyxao às 17:10
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Domingo, 12 de Agosto de 2007

Entre kms e Milhas

A viagem era longa; aí para uns 3000kms, não contando com a imperceptível travessia do frio Báltico que, a partir do porto de Kiel, na Alemanha, o enorme SteanLine iniciava, até acostar no cais escandinavo de Góteborg.

O gigantesco e sumptuoso ferry, devorava a tranquilidade daquelas águas em apenas doze horas; zarpava às 18h e atracava às 8h. E de certeza, que a pachorra das águas nunca o obrigou a ter de se justificar por algum atrazo.

Era arrepiante! ver como aquela enorme bocarra escancarada, abocanhava, engolia e digeria sem espasmos estomacais, infindavéis filas de camions «TIR»,autocarros,motociclos e claro! muita e muita gente e os repartia por três ou quatro andares acima do nível d´água. Era um colosso! Não admira, que perante tamanha e descomunal demonstração de imponência, a minha mulher se tivesse sentido agoniada... era um sentimento que ela nunca soube descrever mas, que a sua fisionomia e conduta, expressaram claramente!... e como eu a compreendia!...Tal visão, reduzia qualquer humanóide a um insignificante estado de pequenez.

Era, para mim, mais uma de muitas viagens, que  sempre começavam na garagem TN e me levavam por essas estradas da europa e, quando elas não chegavam,-como era o caso- o mar não era, nem podia ser fronteira, enquanto não chegasse a Oslo que, não sendo nesta viagem o único destino, era o último.

A Marge também ia nessa viagem e divertiu-se, dentro das limitações; só que para uma criança não há limites, não há fronteiras e muito poucas, ou nenhumas imposições que as impeçam de inventar, a partir do nada,brincadeiras ou divagações inesgotavéis, a não ser, quando uma voz as tráz de volta:«Pára quieta!... Não faças isso!...Jezus! que criança!»

- Quem somos nós, pais! para nos insurgir-mos contra o estado de espírito permanente que alheia das crianças a rigidez da etiqueta que,elas desconhecem e pela qual nunca irão nutrir simpatia. E de repente lá estava eu a boiar nas minhas imagens dessas indiferenças, desses despreconceitos,em que esses chamamentos eram o nosso desespero, porventura mais do que o dos progenitores! Seriedade, responsabilidade,preocupação! Tudo isto deixar ao encargo de adulto! A criança deve sentir que o mundo só poderá ser maravilhoso caso contrário não ousassem pôrem-nos nele!

A minha cave era inimiga do tempo. A frescura expelida do granito abrigava-nos dos escaldantes verões e, nos rigores dos mais inclementes invernos, protegia-nos com o seu bafo a estábulo. A minha cave era o meu santuário. Aí eu me perdia pelas horas enquanto que a restante maralha, se sujeitava ao céu, como teto, para conseguir os mesmos objectivos. Ora fizesse frio, ora chovesse; a água que escorria pelas fendas do rochoso granito, por vezes inundando toda a cave, quando a chuva brotava incansável e ameaçadora, eu brincava a valer.

Lá fora, os miúdos deleitavan-se com as enchurradas; faziam poças e chapinhavam nelas descalços,calças arregaçadas, molhados, indiferentes aos malefícios da chuva e enquanto possível, aos chamamentos das mães, mais ameaçadores do que aflitos.   Desviavam um pequeno curso de água para logo um pouco mais abaixo a reteram com a construção de pequenos diques ou barragens; feitas a princípio com pedregulhos e depois  revestidas a lama rapada do caminho que, na maioria das vezes à falta de sacholas tinham as mãos como substitutas.Depois, vinham as encanaçôes naturais que, mais não eram que tentáculos de abóboras surripadas nos lameiros do Neves e do Manel da Fervença...É claro que preferia as brincadeiras com a rapaziada; juntos fazia-mos loucuras! Gozavo-mos a valer ,sem muitas vezes, ou mesmo nunca nos lembrar-mos que estavamos sob perigo mas, o simples prazer da chuva, da água, das pedras,da lama, dos amigos, da maior barragem e da sua resistência suplantava-se, subrepunha-se ao castigo merecido!-

 

 Essa voz é a da mãe, que não consegue safar da mente o espectro daquele monstro; contudo, gostou de tirar umas « coroas suecas» das máquinas que proliferavam pelos longos e alcatifados corredores do ferry.

O casino, ao qual se chegava vencendo alguns lanços de escadas, morava acima dos camarotes e, após um jantar olhado de soslaio e com muito desdém pela minha mulher, deambulamos por entre as coloridas e barulhentas maquinetas à espera de uma vaga, de uma desistência que, nunca aconteceria, enquanto se estivesse a ganhar senão quando o altifalante fizesse diluir através dos burburinhos,sussuros ou ruídos o aviso de ...«closed»! em vários idiomas. Mas, alguém que nunca esteve numa dessas situações- pelo menos na primeira- desistiu e nós afeiçoamo-nos a ela por mais de uma hora que voou! Até a pequena Marge,  gostou de puxar o manípulo- tendo para isso de se por em bicos de pés- e quando as «coroas» tilintavam pelo escorrega de metal,até se espraiarem com espalhafato na aparadeira; com que alegria ela as  amarfanhava!...

Não! Não saímos abastados nem na penúria desta brincadeira mas, sei que durante ela , embora sabendo que estava lá, a Linda se olvidou da incomensurável massa de àgua que,  amparava aquele monstro e o seu desejo de nunca ter estado ali.

No último piso e,- não faltava nada a este barco- um amplo e arredondado salão, oferecia aos clientes uma pista de dança, que recebia  d´um agrupamento de jovens ibéricos deliciosas rumbas, quentes passos dobles e vibrantes flamengos e onde, entre alguns que se divertiam dançando, um jovem abraçado a um mulher que já o havia sido à muitos mais anos se equilibravam num ébrio e incomprensível desiquílibrio . À volta da pista, bem alapados em sofás forrados a veludo escarlate,com a loira cerveja  e os ambares whísky´s de malte a regarem as goelas, os escandinavos vingavam-se das restrições.

Eram compridos e estreitos os corredores que nos levavam até às cabines, cujas portas nos facilitavam o acesso através de pequenas cartas magnéticas, fornecidas após a aquisição dos ingressos para a travessia.

A nossa cabine tinha dois beliches e eu por razões óbvias optei pelo de cima. Havia também um espaçoso duche e o poder de sucção que limpava a sanita era assustador no seu ruído. Mas, para infortúnio de alguém, no meio de tudo isto, no camarote, lá estava ela, pequena e redonda- a escotilha- com vista imaginem só... para o manto do mar e para o nocturno lençol de estrelas esburacado.

«Fecha essa cortina!» apressou-se minha mulher em pedir. E depois, deitou-se, para uma noite em que não iria dormir.

Ah! Se ela se tivesse aventurado a atravessar o Canal da Mancha! Se daí com vida saísse que pouca ela seria. Aí sim! O mar metia medo! Brincava com o ferry como se ele não fosse mais que um simples nada. Aí, quem não conhecesse a  desagradável sensação do enjoo e do vómito, iria ter, mais que garantida, a sua estreia.

O Báltico, era o arrulhar dum enamorado casal de pombos. O Atlantico da Mancha era o riso aterrador esgrimido pelas bocas de milhares de hienas espumando raiva.

Da primeira travessia, lembro o  veterano das mesmas.O velho Pepe!  «Camionero dos (cacharros) amarillos de Trans Doman!» Tá ainda fresca! Bem gravada na minha cansada memória a dissecação de impropérios que o velho de Doman exalava à mistura com a fumaça expelida através duma dentadura encardida; quase da cor dos «negros cigarrilhos» que aferrados, lhe passeavam pelos lábios de canto a canto da ressequida boca,  quase «pareciendo» parte indissuciável da mesma; um cigarro estava sempre à espera que o outro morresse, se extingui-se, para que o ritual se iniciasse! O fumo do cigarrilho, a carretera e o mar curtiram aquela vida de tão à volta dela andarem que, se lhe perguntasse a idade e ele respondesse:«setienta» eu saberia não ser verdade embora ,a evidência indicasse que, os anos naquele homem não respeitaram uma ordem cronológica e envelheceram-no precocemente.

«Hijo de puta madre!» e expelindo mais uma azulada fumaça continuava a resmungar:«Mal empeçamos e já estás bailando!»Mas, dizia isto ,tal qual como expelia fumaça azulada para os mais próximos e para o infinito- com a maior calma do mundo- e isso, a mim, debutante destas travessias, acalmou-me um pouco embora o «cabron del mar» levanta-se a embarcação como se fora uma pena e a deixasse cair desamparada com um ensurdecedor e arrepiante estrondo na fúria desgovernada daquelas águas.

A Ana, nunca conseguiu arranjar tempo para o medo! para ser sincero, nem sei se alguma criança se apercebe da sua existencia!...talvez medo da noite! do quarto escuro, ou do longo corredor sem fim, onde, a cada passo dado, a mente poderá desenhar fantasmas decorados em histórias noturnas que, as obrigam a correr para onde o  dia e claridade oferecem mais segurança e daí, o  não abdicarem da luz enquanto dormem, não vá o acordar antecipar-se ao amanhecer e os fantasmas ainda não terem tido tempo de se retirarem. É normal que o medo das crianças seja o escuro; pelo menos o mais inegável!...Isso sim!...

No refúgio do pequeno camarote, por certo, de almofada a esconder-lhe a cara, o mar e o ronronar sempre presente que subia pela casa das máquinas, fizeram desta noite, nem por sombras,aquela das mil e uma mas, sim, um pesadelo que para a minha mulher mal havia começado...iria durar uma semana.

 

 ...conti nua  

 

  

 

 

 

driverspanishjezus

publicado por kumyxao às 19:11
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Sábado, 11 de Agosto de 2007

O Kassador de Insólitos

«Leitónia»!...É verdade!...e...

 

...Se não for conhecido por mais nada

   Se-lo-ei por mudar o nome à Mealhada...

 

verão!!!...Mealhada figurará apenas nas memórias como um nome atribuído sabe-se lá por que raio de padrinho!...mas, sem gosto de certeza!

Qual soa melhor? «vamos comer leitão à Mealhada?»... ou «vamos á Leitónia comer leitão?»

 

 

kumyxao

publicado por kumyxao às 19:50
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