Domingo, 30 de Dezembro de 2007

TRAJECTOS

As madrugadas enxotam-me muitas vezes do descanso e quentinho da cama. Tantas, tantas vezes, que sou apanhado pelo esvair das noites e clarear das manhãs e acho, que não há nada mais lindo  que o nascer duma manhã parida por uma noite estrelada!

Sensação de paz!  Calma! Entrar na (VCI) e, pela quietude da madrugada, muito antes da anarquia das oito, dobrar o Nó de Francos; depois, da Arrábida, deixar cair o olhar no Douro, apanhar o  brilho dos lampiôes da Afurada e boiar nele, languidamente,... até à Foz!

Nesta manhã já consigo distinguir nitidamente o Outono. Há no ar uma mescla de maduras  tonalidades e suaves fragrâncias, que, indiscretas, se intrometem com os sentidos, impregnando-os duma gostosa melancolia que, pairando assoprada por brisas mornas, assediada por ventos calmos e débeis sóis, aperfeiçoam com paciente e esmerado requinte as dádivas da mãe natureza emprestando-lhe todos os pincéis subordinados à beleza... 

 

 

(há-de continuar)

publicado por kumyxao às 17:33
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Ser POETA

Angustia e entristece

Ao ouvir alguém dizer

Que queria ser poeta

Poeta não se quer ser!

POETA! É-SE!

 

E para que se veja!

Farei o meu livro de poesia

Nem que seja!

A um poema por dia

E nele estará a minha obra-prima

Isenta de rédeas e de rima

A diluir-se na alva crista das marés

E a ascender no branco dorso das gaivotas

Para depois de mais de mil voltas

Descer no voo delas uma e uma e outra vez

E no frenesim do mais animalesco dos cios 

Subirá comigo todos os rios

Que melodiosos descem o Gerês

 Içar-me-á ao verde descanso das aves

Que oscilando à passagem da brisa

Soltará num improvisado verso

Tudo o que de mim não sabes

Pergaminho que se estende e alisa...

Com tantas, tantas coisas a dizer

Que partir para o mesmo regresso

Irá a minha vontade de não mais querer!

Ah! Esta poesia que me sacode

Anunciando abertura do festim

Antídoto para os meus fraquejos

Fazendo agigantar em mim

Um Kamikaze que se explode

Numa intifada de beijos! 

 

Post Scriptun: Não sei se sou poeta...

                         Mas, sei que não sou mais nada!

 

                   

 

D’amora azeitona

publicado por kumyxao às 14:25
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Sábado, 22 de Dezembro de 2007

Amigos Inseparáveis

Agora não! É de diâmetro mais imedível mas, - se adquirir ingresso para uma rapidíssima viagem no «T.G.V.M» Trem a Grande Velocidade da Memória e me
apear naquele domingo em que o Arcanjo S. Miguel cuja fisionomia angelical,
contrastava com a indumentária guerreira de soldado romano, de elmo e espada
em riste «era de desconfiar», bem empoleirado no seu nicho perto do
altar-mor da pequena capela com o mesmo nome, nunca conseguiu ver a tramóia
engendrada nos degraus da entrada, fora do alcance do telhado da capela
pois; acho cá p'ra mim, que sob a abobada celeste, tenho um teto mais
seguro-a minha pequena aldeia era o centro do meu mundo e ao qual,
conferindo-lhe a forma de roda não teria mais que 5 a6 km de diâmetro; sendo
que a dois terços do raio dessa roda, a noroeste ficava a dita capela,
epicentro do enredo.
O Zé era o meu amigo favorito e os dois anos que a mais do que eu tinha,
eram nivelados pelos meus mais dois centímetros em altura; sendo de tal
solidez o equilíbrio que nada houve de tão forte que o fizesse oscilar.
Ainda hoje, sei que continuamos grandes amigos; apesar de passarem mesmo
anos sem que nos vejamos ou falemos; mesmo não distando as nossas
residências mais que meia centena de metros… estranho!
Tudo isto vivido emoldurado num quadro de uma verdadeira vida «dita dura»
onde, apesar de espirrarmos ignorância por todos os poros chegávamos a ser
felizes pois; tal era essa a ignorância que não nos apercebíamos da sua
existência.
O sobretudo era um espanto; boa fazenda, preto de farta gola, uma enorme
racha que descia desde o cu até ao fim, que era um pouco abaixo dos joelhos,
mais o cinto comprido e largo sustido por duas largas presilhas á altura das
ilhargas e depois, finalizava numa das extremidades por uma vistosa fivela
de inox reluzente: um espanto!
«Comprei-o no Cardoso da Saudade!» respondeu-me quando um pouco invejoso lhe
perguntei.
O Cardoso da Saudade era uma das poucas casas emblemáticas no ramo do
pronto-a-vestir. Em Famalicão; havia mais duas ou três mas, noutros
sectores: os rojões à moda do Minho e as papas de sarrabulho no Tanoeiro
mais a confeitaria Bom -Gosto onde nas fomes dos nossos Domingos à tarde nos
deleitava-mos com sandes de fígado de cebolada e uma um duas tacinhas de
Mateus -Rosé. Bem! No domingo seguinte já éramos dois de sobretudo a caminho
da capela de S. Miguel -o - Anjo para ouvir a palavra do senhor através da
palavra do Sr. Padre que raramente chegávamos a ver, pois a nossa pressa
nunca era tanta de tal maneira que privasse os demais crentes de terem o
aconchego da casa do Senhor. Os largos e compridos degraus de granito, quais
enormes soleiras tinham sempre lotação esgotada, mesmo que no interior
houvesse muito espaço a ocupar.
Eu e o Zé, lado a lado, ficamos a meio da tabela e um degrau atrás de nós
ficou o Jiame ,  que Deus o tenha , pois um estúpido acidente de viação,
«como o são todos» e onde nem sequer culpado foi, levou – o cedo demais para
o paraíso; espero eu.
Os lonnngooos  cintos pendidos  e uma mente brincalhona fizeram o resto. O ·Jiame, com mãozinhas de lã, sub-repticiamente conseguiu unir em nó cego os
dois cintos de maneira que quando, para nosso alívio a missa acabou·, tentamos rodar para descer os degraus ficamos á beira duma queda e tivemos
que efectuar um meio streap atabalhoado e atrapalhando os que tentavam sair.
Os primeiros, que assistiram àquele espectáculo de borla riam-se á fartazana
e os últimos a saírem nunca puderam imaginar que uma simples missa dominical
pudesse causar tanta risota.

publicado por kumyxao às 13:21
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Sábado, 8 de Dezembro de 2007

Mitologia

Resfolgas num ímpeto selvagem

Homem ressurecto da loucura

Indómito e recalcitrante

Qual corcel desbocado

 

Rescindis-te a penumbra

Em grito macabro

Homem que vegetas na noite

Qual criatura solífuga

 

Ancestrais centauros

Da era dos mitos

Enfrentando dinossauros

E bandos de grifos

 

Dragões que vomitam fogo

Crenças onde reina o mito

Não tem o juízo todo

Quem escreveu tudo isto!

publicado por kumyxao às 17:13
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...

Vem!

Quero dar-te uma flor

 Se quiSeres um jardim

Dou-te um lago de cisnes

Queres?

E se ainda estiveres junto a mim...

quando a noite chegar

Podes pedir-me uma estrela!...

 

 

publicado por kumyxao às 17:06
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